A indústria da moda e confecção segue como uma das principais forças econômicas de Pernambuco. Atualmente, mais de 32 mil pernambucanos estão empregados formalmente no setor, que ocupa a vice-liderança na geração de empregos industriais no estado, ficando atrás apenas da agroindústria.
Com forte concentração no Agreste — especialmente nos municípios de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe — o setor mantém trajetória de crescimento. Dados do Novo Caged indicam que, entre 2024 e outubro de 2025, foram registradas 2.478 novas contratações formais.
Segundo informações da Receita Federal, a região concentra 6.413 indústrias de confecção do vestuário. Deste total, apenas 45 são empresas de médio e grande porte. Os outros 99,3% correspondem a pequenos negócios, como Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), que sustentam milhares de famílias e dinamizam a economia local.
De acordo com especialistas do setor, a cadeia produtiva da moda é uma das mais relevantes do Agreste Central e Setentrional, não apenas pelo impacto econômico, mas também pela sua função social, já que absorve grande parte da mão de obra formal e informal da região.
Empreendedorismo que transforma vidas
Os números ganham rosto em histórias como a da empreendedora Clea Jaci da Silva, proprietária da Ondas Moda Praia, em Santa Cruz do Capibaribe. Atualmente, o negócio emprega 23 pessoas e produz cerca de 8 mil peças por mês.
A trajetória de Clea é marcada por superação. Órfã ainda criança, enfrentou dificuldades extremas até iniciar sua própria produção com uma máquina de costura alugada e vendas na Feira da Sulanca. O crescimento do negócio a transformou em referência local e palestrante, inspirando outros empreendedores da região.
Outro exemplo é o de Paulo Cesar Valeriano Silva, morador de Caruaru, que comanda duas marcas de confecção responsáveis pela produção mensal de cerca de 15 mil peças e geração de emprego para 45 pessoas. Parte significativa de seus clientes foi conquistada por meio de rodadas de negócios que conectam produtores locais a compradores de todo o Brasil.
Abertura de mercados e inovação
Feiras e programas de incentivo têm sido estratégicos para ampliar a presença das confecções pernambucanas no mercado nacional. Eventos realizados em Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe possibilitam que pequenos empreendedores apresentem suas coleções, estabeleçam parcerias e expandam seus canais de venda.
Além disso, iniciativas voltadas à inovação vêm impulsionando o setor. Programas de qualificação em gestão, transformação digital e e-commerce têm contribuído para o aumento do faturamento, da produtividade e da maturidade empresarial das confecções locais.
Empresas voltadas à tecnologia aplicada à moda também ganham espaço, oferecendo soluções logísticas, plataformas de venda e sistemas integrados que fortalecem toda a cadeia produtiva.
Perspectivas
Com investimentos em inovação, capacitação e acesso a novos mercados, a indústria da moda pernambucana se consolida como um vetor estratégico de desenvolvimento regional. O setor segue gerando emprego, renda e oportunidades, reafirmando o papel do Agreste como um dos principais polos de confecção do país.
