Adicionar apenas cinco minutos diários de atividade física moderada à rotina — como uma caminhada em ritmo constante — pode estar associado a uma redução significativa no risco de morte. A conclusão é de um novo estudo publicado nesta semana na revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas do mundo na área da saúde.
A pesquisa analisou dados de mais de 135 mil adultos acompanhados por cerca de oito anos em países como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e Suécia. Ao longo do período, os pesquisadores compararam os níveis reais de atividade física dos participantes com os registros de mortalidade.
Como os pesquisadores chegaram a essa conclusão
Diferentemente de muitos estudos anteriores, a pesquisa não se baseou apenas em questionários, método que costuma superestimar a prática de exercícios. Todos os participantes utilizaram acelerômetros — dispositivos semelhantes aos usados em relógios inteligentes — que registram o movimento corporal minuto a minuto.
Com esses dados objetivos, foi possível medir com precisão o tempo gasto em atividades leves, moderadas, vigorosas e também o tempo sedentário. A partir disso, os pesquisadores simularam cenários realistas, como o impacto de adicionar cinco ou dez minutos de atividade física por dia ou reduzir o tempo sentado em até uma hora.
Impacto maior entre pessoas mais sedentárias
Os resultados mostraram que, entre adultos que já realizavam cerca de 17 minutos diários de atividade moderada, acrescentar mais cinco minutos esteve associado a uma redução estimada de 10% no risco de morte por todas as causas.
Entre os menos ativos — que realizavam em média apenas dois minutos diários — o mesmo aumento foi associado a uma redução aproximada de 6%. Segundo os autores, o maior impacto populacional ocorre justamente nesse grupo, já que os ganhos são mais expressivos nos níveis mais baixos de atividade física.
Reduzir o tempo sentado também faz diferença
O estudo também avaliou o impacto da redução do comportamento sedentário. Para adultos que passam cerca de dez horas por dia sentados, diminuir esse tempo em 30 minutos esteve associado a uma redução estimada de 7% no risco de morte. Entre os mais sedentários, com cerca de 12 horas diárias sentados, a redução foi menor, mas ainda relevante.
Mudança na forma de pensar saúde pública
Os achados reforçam uma mudança importante na abordagem científica sobre atividade física. Além de exercícios intensos, pequenas movimentações diárias e a redução do tempo sentado também estão associadas a benefícios significativos para a saúde.
Até recentemente, muitas políticas consideravam apenas o cumprimento das recomendações da Organização Mundial da Saúde, que indicam ao menos 150 minutos semanais de atividade moderada. O estudo sugere que metas mais acessíveis e realistas também podem gerar impactos positivos importantes.
Limitações do estudo
Os autores destacam que se trata de um estudo observacional, o que impede afirmar uma relação direta de causa e efeito. Além disso, a pesquisa envolveu majoritariamente adultos acima dos 40 anos, residentes em países de alta renda.
Ainda assim, os dados ajudam a orientar políticas públicas ao mostrar que pequenas mudanças no dia a dia — como caminhar alguns minutos a mais ou interromper longos períodos sentado — podem ter impacto relevante na saúde coletiva.
