Um estudante de apenas 14 anos, do Recife, vem ganhando destaque no Brasil e no exterior ao desenvolver uma bomba de água movida a energia eólica, construída com materiais recicláveis e capaz de funcionar sem energia elétrica. A invenção, criada por Lucas Figueiredo, tem como objetivo levar água a comunidades que enfrentam a escassez hídrica em regiões secas.
O projeto nasceu ainda no ensino fundamental, como parte de uma feira de ciências escolar, e evoluiu ao longo dos anos por meio de pesquisas, testes práticos e orientação técnica. A solução já rendeu ao jovem premiações nacionais e internacionais, incluindo uma medalha de ouro na International Greenwich Olympiad, realizada em Londres, além da participação na Milset Expo-Sciences International, em Abu Dhabi.
Segundo Lucas, a ideia surgiu em 2022, durante o 6º ano, após um desafio proposto pelo colégio onde estuda, na Zona Sul da capital pernambucana, para criar um trabalho com impacto social. Ele conta que se inspirou no filme “O Menino Que Descobriu o Vento”, que retrata a dificuldade de acesso à água em comunidades afetadas pela seca.
Como funciona a bomba eólica
A bomba criada pelo estudante utiliza a força do vento para realizar o bombeamento da água. O sistema funciona da seguinte forma:
uma hélice capta a energia do vento;
o movimento aciona um compressor;
o compressor envia ar para uma bomba submersa por meio de uma mangueira;
a pressão do ar faz com que a água seja empurrada para fora, sem necessidade de eletricidade.
Com o passar do tempo, o protótipo foi sendo aprimorado. No 7º ano, Lucas passou a apresentar o projeto em feiras científicas maiores, com o apoio da professora Isabel Luz Guaraná, que passou a orientar formalmente a pesquisa.
Reconhecimento e mentoria
Após conquistar medalhas em feiras regionais, o estudante recebeu apoio técnico do tio, Luciano Figueiredo, engenheiro elétrico, e, mais recentemente, passou a contar com a mentoria informal do professor Eduardo Loureiro, da Escola Politécnica de Pernambuco (UPE), especialista em mecânica dos fluidos.
Durante o desenvolvimento, Lucas também visitou comunidades rurais no município de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, para compreender melhor a realidade dos agricultores e testar o funcionamento do sistema.
Agora, o projeto entra em uma nova fase. A meta é substituir adaptações improvisadas por peças próprias, criando um protótipo mais eficiente, barato e durável, com expectativa de implantação real em comunidades que enfrentam a falta de água.
