O Brasil registra um número preocupante de suspeitos e condenados por feminicídio ainda foragidos da Justiça, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira. Ao todo, pelo menos 336 pessoas com mandados de prisão por crimes de feminicídio ou tentativa de feminicídio continuam procuradas em diferentes estados do país, mesmo com o avanço da violência de gênero nos últimos anos.
Os números expõem a dimensão da impunidade em casos de violência letal contra mulheres, que seguem em níveis elevados em diversas regiões brasileiras. Em 2025, o país registrou mais de 1.500 feminicídios, o que representa, em média, cerca de quatro mulheres mortas por dia em razão do gênero.
Os estados com maior número de procurados incluem São Paulo, Bahia, Maranhão e Pará, segundo levantamento que compila mandados de prisão ainda em aberto e sentenças já decretadas, mas não cumpridas. A maioria dessas ordens é de prisão preventiva, quando o suspeito já foi identificado por autoridades policiais, mas continua em liberdade.
O contexto de altos índices de feminicídio motivou uma série de iniciativas públicas, incluindo o lançamento, nesta quarta, de um Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, assinado pelos Três Poderes da República em Brasília. O acordo prevê ações integradas de prevenção, proteção das vítimas, responsabilização dos agressores e fortalecimento das políticas públicas de combate à violência de gênero.
Especialistas e autoridades ressaltam que controlar a lista de procurados é um dos desafios centrais no enfrentamento ao feminicídio, já que muitos casos envolvem violência doméstica ou familiar, em que os agressores fogem após cometer o crime. A falta de cumprimento de mandados de prisão dificulta a responsabilização desses autores, aprofundando a sensação de impunidade e o risco para outras possíveis vítimas.
