Uma inovação sustentável que tem chamado a atenção global nasceu a partir de uma planta bastante conhecida no Nordeste brasileiro: a palma. No México, os empreendedores Marte Cázarez e Adrián López Velarde desenvolveram um material alternativo ao couro animal utilizando o nopal, um tipo de cacto abundante no país e semelhante à palma cultivada no Brasil.
A iniciativa deu origem à empresa Desserto, apresentada internacionalmente em 2019 após um período de pesquisas, testes e aprimoramentos técnicos. Desde então, o material vem sendo apontado como uma das principais alternativas sustentáveis ao couro tradicional.
Produção sustentável e sem desperdício
O couro vegetal é produzido a partir de folhas maduras do cacto, colhidas de forma sustentável, sem causar danos à planta — o que permite novas colheitas ao longo dos anos. Após a extração, as folhas passam por um processo que inclui secagem natural ao sol, trituração, refinamento e combinação com uma base têxtil.
O resultado é um material flexível, resistente e livre de PVC e substâncias tóxicas. De acordo com a empresa, o couro de nopal também apresenta menor consumo de água e energia quando comparado ao couro animal e a alguns materiais sintéticos.
Aplicações em expansão
A inovação já começa a ganhar espaço em diferentes setores da indústria. Entre as principais aplicações estão:
- Roupas
- Bolsas e acessórios
- Estofados e móveis
- Revestimentos automotivos
A proposta é reduzir o impacto ambiental em áreas tradicionalmente associadas ao alto consumo de recursos naturais, como a moda, o design e o setor automotivo.
Potencial para o Brasil
A experiência mexicana abre espaço para reflexões no Brasil, especialmente no Nordeste, onde a palma é amplamente cultivada. Especialistas apontam que o uso da planta para fins industriais sustentáveis pode gerar novas oportunidades econômicas, além de estimular práticas mais alinhadas à preservação ambiental.
Com iniciativas como essa, a chamada “revolução verde” ganha força — e pode ter no sertão um dos seus principais protagonistas.

