A plataforma Roblox, popular entre crianças e adolescentes, implementou nesta semana o pacote de medidas de segurança mais rígido de sua história. As mudanças, anunciadas pela empresa, têm como objetivo reduzir riscos de exposição, interações inadequadas e vulnerabilidades envolvendo o público infantil.
Entre as principais alterações está o bloqueio do chat por padrão para crianças. Agora, usuários mais novos podem apenas visualizar mensagens, sem a possibilidade de digitar, a menos que haja autorização manual dos pais ou responsáveis. Além disso, o uso de chat de voz e de texto passou a exigir verificação de identidade, que pode ser feita por reconhecimento facial ou envio de documentos.
Outra mudança significativa é a criação de barreiras etárias para conversas privadas. Usuários com grandes diferenças de idade não podem mais iniciar comunicações diretas entre si, medida que visa dificultar contatos considerados de risco.
Protestos virtuais e memes
As novas regras dividiram a comunidade e desencadearam uma onda de protestos dentro do próprio jogo na quarta-feira (14). Jogadores organizaram manifestações virtuais com cartazes, mensagens e cenários exagerados, que rapidamente viralizaram nas redes sociais e se transformaram em memes.
O influenciador Felca acabou se tornando um dos principais alvos simbólicos das manifestações. Em 2025, ele ganhou destaque ao denunciar processos de “adultização” e sexualização de menores nas redes, o que reacendeu debates sobre segurança infantil no ambiente digital. Parte dos jogadores passou a associar as restrições do Roblox às discussões levantadas pelo youtuber.
Felca afirmou publicamente que vem recebendo mensagens agressivas de crianças após as mudanças. Segundo ele, a revolta estaria sendo direcionada de forma equivocada, já que as decisões partiram da própria plataforma.
Segurança infantil em debate
Criado em 2004, o Roblox reúne milhões de usuários no mundo todo e permite que a própria comunidade crie e compartilhe jogos. Nos últimos anos, porém, o ambiente passou a ser alvo de críticas e investigações relacionadas à segurança de menores.
As novas diretrizes surgem em meio a debates globais sobre proteção infantil no ambiente digital. Autoridades internacionais já classificaram plataformas desse tipo como ambientes que exigem vigilância constante, justamente pela grande presença de crianças e adolescentes.
Especialistas em segurança digital reforçam que as mudanças podem reduzir riscos, mas destacam a importância do acompanhamento familiar e do uso consciente das ferramentas de controle parental.

