Uma punição disciplinar aplicada a um segundo-sargento da Polícia Militar de Pernambuco reacendeu o debate sobre as regras de aparência exigidas pela corporação. O militar recebeu três dias de detenção administrativa por estar com o bigode fora dos padrões estabelecidos em normativo interno da PM.
Com 35 anos de serviço, o sargento Samuel de Araújo Lima atua atualmente na Companhia Independente de Apoio ao Turista (CIATur), em Olinda. Segundo a defesa, ele usa o mesmo estilo de bigode há anos, sem jamais ter sido advertido anteriormente. A notificação ocorreu após uma fiscalização durante um serviço extra.
De acordo com a Polícia Militar, a punição está prevista no Suplemento Normativo nº 68, em vigor desde 2020, que regulamenta critérios de apresentação pessoal, uniformes e conduta visual dos policiais. Entre as regras, o bigode é permitido apenas se for discreto, aparado, não ultrapassar a linha dos lábios e constar na identidade funcional do militar.
Além do bigode, o regulamento estabelece uma série de restrições relacionadas a cabelo, barba, tatuagens e uso de acessórios. Para os homens, são proibidos cortes como moicano, uso de franja, barba sem autorização médica, brincos e piercings visíveis. O comprimento do cabelo também não pode ser inferior ao padrão estabelecido, salvo exceções médicas.
O documento também impõe limites ao uso de adornos, como anéis, colares e pingentes, que devem ser discretos e usados de forma específica. Tatuagens com conteúdo considerado ofensivo, violento, discriminatório ou contrário às instituições democráticas são vedadas.
Para as mulheres, há normas próprias sobre penteados, cores de cabelo, maquiagem, esmaltes e acessórios. As regras determinam, por exemplo, que cabelos longos sejam presos, que a maquiagem seja discreta e que brincos sejam usados apenas em um furo por orelha.
A defesa do sargento informou que a punição foi publicada em boletim interno no dia 13 de janeiro e que o processo segue em fase de recurso. A PM afirmou que a sanção é administrativa e não afasta o militar de suas funções.
