A Escola Estadual Parque dos Sonhos, localizada em Cubatão (SP), viveu uma das mais impressionantes transformações educacionais do Brasil. Antes marcada por invasões, furtos, consumo de drogas e insegurança, a escola conquistou reconhecimento internacional ao vencer a categoria “Superação de Adversidades” do World’s Best School Prize 2025, prêmio britânico promovido pela T4 Education.
Um passado difícil
Quando o professor de História Régis Marques recebeu o convite para dirigir a escola, em 2016, encontrou um cenário desafiador. As notícias sobre a instituição incluíam relatos de violência, festas interrompidas por traficantes e constante abandono. A escola era conhecida pela comunidade como “Parque dos Pesadelos”.
No segundo dia como diretor, sua sala foi apedrejada. Dos 116 alunos matriculados, metade queria transferência. Em uma área isolada do bairro Jardim Real, a escola era alvo frequente de invasões e consumo de drogas.
O início da virada
Determinados a mudar essa realidade, Régis e sua equipe começaram reconstruindo o básico: muros, pisos, móveis e a própria relação com a comunidade. Sem recursos suficientes, enviaram mais de 130 ofícios a empresas privadas e arrecadaram R$ 100 mil para revitalizar a estrutura.
A escola passou a abrir aos finais de semana, oferecendo cursinhos e espaços comunitários. Moradores se voluntariaram, ajudando na limpeza e nas atividades cotidianas.
Projetos que mudaram vidas
Ao longo dos anos, a Parque dos Sonhos investiu em educação integral e desenvolveu 23 projetos extracurriculares, como culinária, teatro, badminton e patinação artística — atividades incomuns na rede pública e muito apreciadas pelos alunos.
A proposta central foi ouvir os estudantes e criar um espaço mais humano e acolhedor. Para muitos, essa foi a primeira vez que se sentiram pertencentes à escola.
A escola vai à sua casa
Um dos projetos mais transformadores foi inspirado em Cuba: professores visitam, aos fins de semana, as casas de alunos com problemas de frequência ou comportamento. A iniciativa criou vínculos, fortaleceu o apoio às famílias e ajudou a compreender desafios que vão além das salas de aula.
Valores e referências
Os corredores da escola exibem grafites de líderes como Gandhi, Mandela, Malala, Marielle Franco, Paulo Freire e Mujica — referências que dialogam com a Semana da Não Violência, evento anual que discute direitos humanos, justiça restaurativa e resolução de conflitos.
Do quase fechamento ao reconhecimento mundial
A evolução acadêmica também impressiona: o índice Idesp da escola saltou de 2,2 para 4,6 em dez anos — um avanço de quase 100% na qualidade do ensino.
Em setembro de 2025, alunos e professores comemoraram emocionados o anúncio de que a escola havia vencido o prêmio internacional, celebrando uma conquista construída com esforço coletivo, afeto e compromisso social.
Hoje, a Parque dos Sonhos é considerada um porto seguro: alunos relatam abusos, encontram apoio e recebem acompanhamento pedagógico e emocional. A escola se prepara para 2026 com uma fusão que ampliará sua capacidade para 1,2 mil estudantes, consolidando um projeto que começou prestes a ser fechado e agora inspira o mundo.
