A estiagem prolongada em diversas áreas do Nordeste tem colocado pequenos e médios criadores em uma corrida contra o tempo para garantir a sobrevivência do rebanho. Com a pastagem seca, açudes em níveis críticos e a escassez de ração, muitos produtores estão recorrendo a uma prática antiga e resistente do sertão: o uso do xique-xique como alimento emergencial para o gado.
Símbolo da caatinga, o xique-xique deixa de ser apenas parte da paisagem para se tornar sustento. Após a retirada dos espinhos — geralmente com o auxílio do fogo — a planta é cortada e oferecida aos animais, que encontram ali uma fonte de água e nutrientes suficientes para atravessar o período mais severo da seca.
A técnica, passada de geração em geração, volta a ser essencial em momentos como este. “É o que tem para hoje”, relatam criadores, que veem na planta nativa uma alternativa viável diante da falta de capim e do alto custo dos insumos. Embora não substitua uma alimentação balanceada, o xique-xique ajuda a manter o gado hidratado e reduz as perdas no rebanho.
Especialistas lembram que o uso do xique-xique é uma medida paliativa e reforçam a importância de políticas públicas voltadas para a convivência com o semiárido, como perfuração de poços, recuperação de barreiros, distribuição de ração e apoio técnico aos produtores.
Enquanto a chuva não chega, o sertanejo mais uma vez demonstra resiliência e sabedoria popular, transformando a força da caatinga em esperança para manter viva a atividade que sustenta milhares de famílias no interior nordestino.
