Mais de duas mil profissões registraram afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil, revelando um cenário preocupante para a saúde dos trabalhadores. Dados do Ministério da Previdência Social, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que, em 2025, mais de 500 mil pessoas precisaram se afastar de suas atividades profissionais por motivos relacionados à saúde mental.
Este é o segundo ano consecutivo em que o país bate recorde nesse tipo de afastamento. Em 2024, o Brasil já havia registrado a maior marca da década, evidenciando uma tendência de crescimento dos casos e o agravamento do problema no mercado de trabalho.
Para entender como os afastamentos se distribuem entre as profissões, foi analisada uma lista com mais de 2 mil ocupações, elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em dados do INSS. O levantamento considera informações detalhadas do período entre 2012 e 2024.
No topo da lista estão profissões como vendedor do comércio varejista, faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção. Segundo especialistas, essas ocupações têm em comum fatores como contratos mais frágeis, pressão por metas, jornadas prolongadas e maior exposição a riscos, incluindo a violência urbana, no caso de motoristas e vigilantes.
O aumento dos afastamentos acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas, ações de prevenção e maior atenção das empresas às condições de trabalho, à saúde emocional e ao bem-estar dos profissionais que sustentam boa parte da rotina urbana no país.
